Atribuir um sintoma a um alimento é uma prática bastante comum no nosso dia-a dia, mas algumas vezes estes sintomas podem estar relacionados a quadros alérgicos que necessitam investigação e orientação. A alergia alimentar pode acometer 2% da população adulta, mas é mais freqüente na população pediátrica onde até 8% de todas as crianças podem ser afetadas.

Alimentos como o leite de vaca, clara de ovo, crustáceos e até mesmo a soja estão envolvidos na maior parte dos sintomas. Já o cacau, ou melhor, o chocolate e a carne de porco, sempre lembrados, poucas vezes são responsáveis pelos quadros mais graves.

Os sintomas de alergia alimentar podem ser bastante variados atingindo a pele, o sistema digestivo o respiratório e o sistema circulatório podendo causar reações anafiláticas, estas bastante graves. Uma avaliação clínica cuidadosa auxiliará o alergista a definir se os sintomas estão ou não relacionados ao quadro clínico e definirá quais são os principais alimentos a serem testados. Existem testes específicos para alguns alimentos, mas é importante saber que às vezes as suspeitas recaem sobre aditivos alimentares, principalmente corantes e conservantes e nestes casos testes alérgicos não são disponíveis. Os resultados dos testes sempre deverão ser interpretados pelo médico adequadamente treinado, pois somente ele saberá a conduta adequada a ser tomada. O importante é saber que caso seja necessária a retirada do alimento dois aspectos serão muito importantes:

  1. Adequação Nutricional: quando alimentos como o leite ou o ovo são removidos da dieta do paciente é fundamental que se reavalie os aspectos nutricionais do paciente e se garanta que os substitutos confiram qualidade e palatabilidade. É sempre importante ressaltar que, especialmente em pacientes pediátricos, a dieta deve conter elementos que confiram prazer.

  2. Projeto Educacional: Pais e cuidadores devem ser orientados a identificação do alimento que causa alergia em produtos industrializados, tarefa nem sempre fácil. Já é sabido que a nossa legislação de rotulação é falha, pois nem sempre todos os ingredientes são registrados. Um outro aspecto a ser considerado é a presença de sinônimos nem sempre claros, como por exemplo, dizer que o alimento “contém caseína”, será que todos sabem que isto significa leite? Outro problema que ocorre não raramente é a inclusão de um novo ingrediente em determinado produto sem a devida informação ao púbico. Portanto pais e cuidadores devem ser orientados a consultar sempre o serviço de atendimento ao consumidor. Ainda dentro deste projeto educacional, o médico deverá interagir com os cuidadores orientando adequadamente o procedimento em escolas.

O cuidado de um paciente com alergia alimentar exige uma série de medidas, mas é fascinante observar que, quando médico e familiares interagem de maneira adequada a criança pode crescer feliz e nutricionalmente bem cuidada, salientando que os riscos de uma reação adversa podem ser muito reduzidos.