| |

Informações importantes sobre Doenças Osteometabólicas:
+ Sobre a Osteoporose
Osteoporose é uma doença muito comum que se caracteriza pelo enfraquecimento ósseo, o que facilita a ocorrência das fraturas, isto é, o osso passa a se quebrar em conseqüência a pequenos traumas. A osteoporose pode acontecer por uma série de motivos, sendo os mais comuns deles a menopausa e o envelhecimento.
A queda dos hormônios femininos que acontece após a menopausa prejudica a qualidade do osso, fazendo com que ele sofra um processo de reabsorção, deixando-o mais frágil. Mulheres que fazem reposição hormonal postergam este processo. As fraturas mais comuns verificadas na osteoporose pós menupáusica ocorrem no punho (pulso), nas vértebras (achatamentos ou acunhamentos), no braço (úmero) e no quadril (fêmur). A osteoporose pós-menopáusica deve ser prevenida ou, quando não, tratada, para evitar as fraturas.
A osteoporose senil ocorre em decorrência do envelhecimento. Depois dos 30 anos de idade, todos iniciam uma perda lenta e gradual de tecido ósseo, encarada como parte do processo de envelhecimento. Medidas que visam diminuir esta perda envolvem especialmente a pratica de atividades físicas, uma dieta rica em cálcio, exposição solar para produção de vitamina D, além da exclusão de fatores nocivos ao osso, como fumo, medicamentos a base de corticosteróides, alterações menstruais prolongadas, entre outros.
O homem também pode ter osteoporose. Em geral, comenta-se muito sobre esta alteração em relação às mulheres, especialmente no momento da menopausa. Sem dúvida alguma, a osteoporose é muito mais comum nas mulheres, chegando a afetar cerca de 20% delas no período pós-menopáusico. Entretanto, hoje sabemos que os homens também podem ter tal alteração e que ela é muito mais comum do que se imaginava. Em 40% dos casos a osteoporose no homem está associadas ao uso de medicamentos como os chamados corticóides, ao hipogonadismo (deficiência de hormônios masculinos) e ao alcoolismo. Entretanto, em 60% dos casos ela é chamada de idiopática, isto é, ainda não se conhece a causa. O exame de densitometria óssea é utilizado para se identificar o paciente osteoporótico, que deverá se submeter a uma série de exames laboratoriais solicitados pelo médico, no sentido de se identificar a causa e de guiar o tratamento. O tratamento engloba múltiplos aspectos, desde a mudança de hábitos, como estimular a atividade física orientada, dieta com alto conteúdo de cálcio, restrição das bebidas alcoólicas e fumo, como a utilização de uma série de medicamentos disponíveis para tratar cada caso. Os resultados costumam ser muito bons.
Uma série de doenças podem causar ou agravar a osteoporose (Tabela 1). Pacientes portadores destas doenças devem se preocupar com o desenvolvimento da osteoporose, para preveni-la a tempo. Estas são as chamadas Osteoporoses Secundárias. |
+ Prevenção e Tratamento da Osteoporose
A prevenção da osteoporose deve ser feita de maneira abrangente, através de várias medidas conjuntas, como adequar a ingestão de alimentos ricos em cálcio, providenciar as quantidades necessárias de Vitamina D, estimular a atividade física e utilizar medicamentos específicos.
+ Medicamentos
Medicamentos específicos englobam uma grande variedade de drogas para prevenção ou tratamento da osteoporose, dentre elas:, os bisfosfonatos, os hormônios sexuais, os moduladores do receptor de estrógeno, estrôncio e a teriparatida, até o momento. Novas drogas estão sendo estudadas e testadas e certamente em um futuro breve estarão disponíveis no mercado. |
+ Bisfosfonatos
Bisfosfonatos constitui uma das mais utilizadas famílias de medicamentos para tratamento de uma série de doenças ósseas, inclusive a osteoporose. Os mais utilizados para tratar esta doença são o alendronato, o risedronato, o ibandronato, o pamidronato e o zoledronato. Funcionam inibindo a reabsorção óssea, bloqueando, desta forma, a saída do cálcio do osso. Alguns deles devem ser utilizados por via oral (alendronato, risedronato e ibandronato), que servem às ocasiões e situações mais freqüentes. Outros (pamidronato e zoledronato) são usados por via endovenosa, que ficam reservados para ocasiões especiais.
São medicações muito potentes e podem ser tomados entre intervalos prolongados, que variam de dias a meses, dependendo da característica de cada um deles. O Alendronato e o Risedronato são usados pela via oral a cada 7 dias. O Ibandronato pode ser utilizado em intervalos mensais. O Pamidronato endovenoso pode ser prescrito em intervalos trimestrais e o Zoledronato endovenoso em intervalos anuais. A indicação de qual deles é o melhor depende de cada caso. |
+ Hormônios sexuais
Hormônios sexuais- são os hormônio femininos e os masculinos. Os hormônios femininos, produzidos pelos ovários, são o estrógeno e a progesterona, utilizados para reposição hormonal na pós-menopausa (TRH). O estrógeno, particularmente, pode ser utilizado para prevenção e tratamento da osteoporose, diminuindo a perda óssea e reduzindo o risco de fraturas. Entretanto, os riscos associados a reposição hormonal, como câncer de mama e doença cardiovascular (tromboembolismo) fizeram com que os estrógenos ficasse em segundo plano no tratamento da osteoporose.
A Nandrolona é um anabolizantes hormonal que também podem ser utilizados com complementos ao tratamento da osteoporose, em casos especiais, com o intuito de aumentar massa muscular, especialmente naquelas mulheres mais frágeis.
|
+ Moduladores seletivos do receptor de estrogênio (SERM)
Moduladores seletivos do receptor de estrogênio (SERM)- são medicamentos não hormonais que tem a capacidade atuar como estrogênios em alguns tecidos, como osso, e inibir a ação estrogênica em outros tecidos (Mama e útero). O único exemplar existente até o momento para prevenção e tratamento da osteoporose é o raloxifeno, na dose diária de 60 mg. Pode ser tomado junto com alimentos e tem o beneficio adicional de diminuir o risco de câncer de mama nas mulheres. |
+ Ranelato de Estrôncio
Ranelato de Estrôncio- é um sal lançado há pouco tempo para tratamento da osteoporose, e deve ser utilizado diariamente. Vem em sachês com 2 gramas cada, que devem ser dissolvidos em água e tomados antes de deitar, cerca de 1 hora após o jantar. Tem ação aumentando a massa óssea por dois mecanismos: inibe a reabsorção e aumenta a formação óssea, inibindo fraturas vertebrais e de quadril. |
+ Teriparatida
Teriparatida é um fragmento sintético do hormônio da paratiróide, que deve ser injetado no subcutâneo diariamente pela manhã, da mesma forma que se faz com as insulinas. Possui uma ação muito intensa em aumentar a formação óssea. Seu custo é elevado, entretanto a duração do tratamento não deve ser superior a 2 anos. Promove um aumento da massa óssea e reduz risco de fraturas. É indicado para formas graves de osteoporose. |
+ Vitamina D
Vitamina D- esta vitamina é produzida na pele conseqüente aos raios solares. É uma substância fundamental para a saúde óssea. Na sua deficiência grave se desenvolvem quadros conhecidos como raquitismo nas crianças, e osteomalácea no adulto. Entretanto, deficiências menos graves contribuem para o desenvolvimento da osteoporose.
Esta vitamina, que na verdade transforma-se em um hormônio para agir, é muito importante para a absorção de cálcio pelo intestino, e na deposição deste mineral sobre o tecido ósseo, calcificando-o e tornando-o, desta forma, mais resistente. Nos últimos tempos, tem-se constatado uma verdadeira epidemia de deficiência de vitamina D nas mais variadas populações, mas especialmente dentre os idosos. Estes, além de ter a capacidade de produção na pele diminuída e tomam cada vez menos sol. Dez a 20 minutos por dia expondo braços e face, preferencialmente em horários de dia em que o sol está mais ameno (até as 10:00 hs da manhã, ou no final da tarde) seriam o suficiente para termos quantidades adequadas de vitamina D. Mas isto não tem acontecido, especialmente nas grandes cidades. Nos casos de deficiência grave, o tratamento deve ser feito pelo médico com medicamentos contendo vitamina D.
Doses menores de vitamina D são encontrados em polivitamínicos, ou associados a cálcio ou alendronato. Entretanto, as doses recomendadas hoje em dia são acima das encontradas em tais tipos de medicamentos. |
+ Cálcio
Cálcio: é a principal matéria prima para a mineralização do esqueleto. Por este motivo, necessitamos de quantidades suficientes em nossa dieta, para que seja absorvida pelo intestino e incorporada ao tecido ósseo. Este cálcio provém especialmente do leite e de seus derivados, com exceção do creme de leite e da manteiga. |
+ Exercício
Exercício: é fundamental para a qualidade do osso, do músculo e da vida! Usar o osso é condição indispensável para que ele se mantenha saudável. Isto conseguimos com o exercício físico. O sedentarismo é uma das piores coisas para o osso. Da mesma forma que o músculo, o osso se retrais, sendo reabosrvido rapidamente, tornando-se mais enfraquecido e susceptível a fraturas. |
+ Densitometria Óssea
Densitometria Óssea: A densitometria óssea é o método de medida da massa óssea mais utilizado no mundo. Baseia-se na atenuação que um feixe de raio X sofre quando atravessa partes moles e osso nas regiões delimitadas. Os locais mais habitualmente avaliados são a coluna lombar e fêmur proximal e, eventualmente, antebraço. No Brasil, a maioria dos aparelhos são da marca Hologic ou Lunar. Ambos apresentam seus resultados de BMD (bone mineral density) em gramas de tecido mineral por área (g/cm2), mas seus resultados absolutos não são comparáveis entre si.
A interpretação dos resultados em mulheres pós-menopausadas e para homens com mais de 50 anos devem ser feita sempre pela comparação com padrões de normalidade para adultos jovens. O T score (Hologic) ou Z score Young Adult (Lunar) é o número de desvios padrão distantes da média da massa óssea de um grupo de adultos jovens. O Z score (Hologic) ou Z score Age Matched (Lunar) compara o paciente com a sua própria faixa etária, e deve ser levado em consideração nos casos de mulheres na pré-menopausa, homens com menos de 50 anos e crianças ou adolescentes. Se <-2 é considerada como baixa massa óssea para a idade.
Algumas situações podem induzir a um erro na interpretação dos resultados. Os mais comuns são a presença de calcificações de aorta abdominal, fraturas vertebrais e osteoartrose de coluna lombar. Nestas situações, os valores obtidos para BMD não representam a massa óssea, e as BMDs obtidas em fêmur proximal devem ser valorizadas na interpretação do risco de fraturas. |
|
+ Principais causas e distúrbios associados a osteoporose e fraturas
Doenças endócrinas : |
Drogas: |
Doenças renais: |
Hipogonadismo (primário e secundário) |
Corticoides |
Osteodistrofia renal |
Síndrome de Cushing) |
Quimioterapia |
Hipercalciúria e litiase |
Hiperparatiroidismo |
Tiroxina |
Acidose tubular renal |
Hipertiroidismo |
Heparina |
Deficiências nutricionais: |
Diabetes mellitus tipo I |
Imunossupressores |
Cálcio |
Osteomalácea |
Anticonvulsivantes |
Vitamina D |
Doenças hematopoiéticas: |
Erros inatos |
Proteína |
Mastocitose |
Osteogenesis imperfecta |
Vitamina C |
Mieloma múltiplo |
Síndrome de Marfan |
Distúrbios reumatológicos: |
Linfoma/Leucemia |
Homocistinúria |
Espondilite anquilosante |
Doença de Gaucher |
Síndromes digestivas: |
Artrite reumatóide |
AIDS |
Doença celíaca |
Lupus eritematoso sistêmico |
Distúrbios neuro-psiquiátricos: |
Moléstia de Crohn |
Estilo de vida: |
Anorexia nervosa |
Hemocromatose |
Alcoolismo |
Depressão |
Nutrição parenteral |
Atividade física reduzida |
Paralisia cerebral |
Pós-gastrectomia |
Tabagismo |
|
Doença colestática |
|
|

|
|
 
|